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“Nem sempre é fácil encontrar a ‘nós mesmos”

Nossos hábitos mudaram, a vida mudou, nós mudamos. Ainda estamos no processo de ressignificação e análises a partir da nossa imagem refletida no espelho nesse tempo novo que se descortina em plena pandemia do COVID-19. “Nem sempre é fácil encontrar a ‘nós mesmos”, afirma Kelly Passarello*, administradora e especialista em Gestão de Pessoas com mais de 20 anos de experiência voltada ao Desenvolvimento Humano e Organizacional. Na entrevista concedida à Nova Rota, Kelly fala sobre autocuidado, rotinas de trabalho e aprendizagens nessa trilha em busca de nós mesmos.


Nova Rota – A pandemia do COVID-19 nos fez mudar drasticamente nossas rotinas de trabalho e estilo de vida. Por que está sendo tão difícil enfrentar a quarentena e adotar novos hábitos nesse momento restritivo?

Kelly Passarello - A pandemia nos fez desacelerar, nos fez deixar de lado acontecimentos que eram prioritários, nos dando condições de olhar para nós mesmos. Ela nos tirou as distrações nos colocando em condições de percepção de quem realmente somos. E neste, nem todos gostaram do que acabaram de encontrar. Ou seja, nem sempre é facil encontrar a “nós mesmos”.

NR – Muitas pessoas se referem ao período do pós-pandemia como sendo o “novo normal”. Na sua opinião, como nos prepararmos emocionalmente para viver esse novo momento?

KP - A pandemia nos colocou diante de uma crise de proporções globais nunca vivenciada pela nossa geração. Ela vem nos exigindo uma capacidade de ampliarmos competências para que possamos interagir, construir ou desconstruir relacionamentos. Nos trouxe à tona a necessidade de ampliarmos a nossa autoconsciência para que possamos continuar vivendo.

Assim como dificuldades, ela também nos apresenta desafios e oportunidades.

Refletir sobre o futuro pode nos dar uma certa ansiedade e até mesmo uma insegurança, mas não nos cabe outra oportunidade, se não, nos conhecermos, traçarmos novas estratégias, analisarmos as opções e oportunidades e seguir em frente.

Uma autorreflexão sobre o que mudou em nossas vidas pode ser uma boa opção. Esta é uma reflexão muito individual e cabe a cada um, no seu momento, na sua perspectiva e realidade fazer esta análise.

NR – O confinamento fez eclodir doenças psíquicas e de cunho emocional, como depressão, estresse e ansiedade. Como estar atentos aos sintomas e ao momento de pedir ajuda?

KP - Precisamos nos atentar para toda e qualquer mudança que ocorra em nós, por mais simples que ela possa parecer. Somos humanos e passíveis de necessidades e carências, com as quais nem sempre conseguimos lidar sozinhos. Este momento, não esperado e até então ainda não vivenciado, nos colocou em uma situação de exposição total. Exposição das nossas fagilidades, das nossas inquietações, das nossas imperfeições. Por um lado, questões delicadas, por outro, uma baita oportunidade de nos trabalharmos.

Sendo assim, se as inquietações, as fragilidades, o contato conosco e com os outros estiver nos incomodando, devemos sim pedir ajuda. Buscar apoio e orientação, sem receios, sem traumas e sem medos. É muito maduro aceitar que precisamos de ajuda! E quando nos movimentamos para o processo de melhoria, a ajuda sempre chega... Este processo começa por nós!

NR – Da mesma forma, as pessoas estão mais solidárias à necessidade do outro. Como você avalia essa mudança comportamental?

KP - Considero uma mudança maravilhosa. Da mesma forma como as inquietaões foram surgindo, o nosso sentimento de solidariedade também aflorou. Muitas coisas boas surgiram neste processo. Muitas boas ações estão sendo realizadas e há uma grande quantidade de pessoas sendo beneficiadas por este processo. Acredito que somos bons e generosos por natureza, e são nas situações mais difíceis que a nossa capacidade de ajudar o próximo fica mais aparente.

NR - Que tipo de mudanças podem ocorrer no mundo corporativo na perspectiva do trabalho em equipe nesta volta ao “novo normal”?

KP - Embora estejamos passando por uma pandemia, cada organização teve sua rotina adaptada às suas necessidades. Enquanto que alguns ramos de atividade pararam por completo, outros tiveram que se adaptar e continuar prosseguindo. Alguns até obtiveram crescimento no período.

Vivenciamos a ampliação do home office e a flexibilização do trabalho, e acredito que esta experiência pode representar um novo modelo a ser seguido. Ficou provado que não necessariamente precisamos estar fisicamente num mesmo espaço para realizar as atividades. Se antes tudo isso parecia, impossivel, agora nem tanto. Muitos profissionais liberais, a exemplos dos consultores, terapeutas e psicólogos, passaram a atuar na modalidade on line, e experimentaram a oportunidade de uma nova modalidade. Da mesma forma, como as instituições de ensino, o que era uma opção de oferta com cursos on line, agora é uma realidade, com grandes possibilidades de expansão.

NR – Você costuma dizer que é preciso “viver no agora”. O que está mudando e pode vir a mudar em nossas relações familiares, sociais e possivelmente no mundo do trabalho?

KP - Viver no agora representa aproveitar as oportunidades que nos ocorre no momento presente, levando em consideração as vivências e experiências passadas, mas sem tanta ansiedade pelo futuro. Pois este é tão somente o reflexo das nossas ações no hoje. Tudo o que fazemos hoje tem repercusão no amanhã, incluindo as relações. Portanto, a mesma atenção que damos ao que desejamos conquistar, também precisa estar relacionada às nossas relações interpessoais.

As relações familiares, muitas vezes, são mais complexas que as relações profissionais e de amizades. O dia a dia em casa se apresenta como uma grande oportunidade de aprendizado de quem somos, e esta oportunidade não pode ser desperdiçada. Este período de convivência próxima com nossos familiares, ou a ausência dela para os casos de mudança na modalidade de trabalho, nos possibilitaram um novo olhar, um novo aprendizado, uma nova realidade, com a qual devemos nos adaptar. E isso é muito bom.

NR – Vamos deixar de planejar a vida e o futuro?

KP - Jamais. A vida é muito curta para não ser planejada. “O futuro a Deus pertence” não pode ser o lema da nossa vida. Precisamos enxergar a vida como uma dádiva e ela precisa ser aproveitada e vivida na sua plenitude. E, sendo assim, devemos planejá-la, sim!

Devemos pensar em ações que nos permitam evoluir, como pessoa e como profissional. Devemos traçar os nossos planos, pensar no futuro e correr atrás dos nossos objetivos, sejam eles quais forem.

NR – Como estar atento a nós mesmos no sentido de desenvolvermos novas habilidades nesse momento de transição?

KP - Podemos começar por fazermos uma autoavaliação sobre quem somos, sobre o que nos dá prazer em fazer, sobre com quem gostamos de lidar. E, com esta análise inicial, traçarmos um paralelo com o que precisamos melhorar e aprimorar, tanto do lado pessoal quanto no aspecto profissional. Trata-se de uma mudança de mindset.

NR – O “novo” costuma assustar. Será necessário ter mais jogo de cintura daqui para a frente?

KP - Com certeza. O novo nos assusta, nos tira da zona de conforto, nos causa um certo desconforto. Acho isso natural até certo ponto. Mas, aí entra a necessidade do “jogo de cintura”, que é a nossa capacidade de lidarmos com as incertezas, com as interferências e com as coisas que estão além da nossa capacidade de controle. Pessoas que lidam bem com estas inteferências, que se colocam abertos ao novo e ao inesperado, conseguem lidar mais facilmente com tudo isso.

NR – Na sua opinião, o que a pandemia nos ensina?

KP - Que não temos o controle de tudo. Que podemos nos adaptar e ressignificar a nossa vida. Que somos mais fortes e adaptáveis do que imaginávamos.

NR – Quais dicas poderia nos dar para uma vida mais feliz e com mais propósito?

KP - Primeiro, não se cobre demais, não crie expectativas desnecessárias, não se rotule e não se menospreze. Somos seres imperfeitos, mas, acima de tudo, somos especiais. Somos todos filhos de Deus, somos sua imagem e semelhança. Somo únicos! Não devemos nos esquecer que temos o livre arbítrio e que tudo o que fazemos ou deixamos de fazer tem repercussão direta na nossa vida.

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Kelly Passarello, administradora, especialista na área de Gestão de Pessoas. Coach, orientadora profissional e de carreira, ativista quântico, terapeuta e analista comportamental e Assessment - DISC e PDA.


www.instagram.com/kellypassarello

https://www.linkedin.com/in/kelly-passarello-aa120227/


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